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Análise do Mercado de Turismo Brasileiro – Representatividade

Parte 1

O Brasil é a sexta economia do mundo e o quinto maior país em área e todo o mundo está de olho na gente. O turismo, praticamente no mundo inteiro, assume cada vez mais importância como atividade econômica, mas, infelizmente, em turismo estamos longe de ser uma potência.

O momento é ideal para alcançarmos um local de destaque, entre os líderes do mercado mundial. Estamos diante de uma oportunidade única. Em pouco menos de meia década, vamos sediar os principais eventos esportivos do planeta. Os olhares do mundo se voltarão para o nosso País, nossos atrativos e nossos produtos turísticos.

Torna-se imperativo colocar alguns questionamentos estratégicos: Que país queremos mostrar ao mundo? Quais valores colocar na vitrine? Que ferramentas usar para atrair e cativar o turista internacional? Como fazer o brasileiro viajar mais pelo próprio país?

O turismo brasileiro está mal organizado? Temos liderança? Temos uma representatividade atuante e digna de nosso respeito? Em época em que estamos privatizando aeroportos, nos preparando para receber Copa e Olimpíada, a falta de foco parece ser uns dos entraves. O que queremos? Temos produtos para quem? De que níveis? Com que controle de qualidade? Como fazer isso? Como mobilizar?

O mercado de turismo brasileiro está precisando de mudanças. Mudança de mentalidade e de atitude e muita vontade, política e empresarial entre governo, entidades e empresas. Do jeito que está poucos ganham e a maioria dos turistas, fornecedores, agências e destinos perdem. A hora do turismo brasileiro é agora. Hoje. Não somente para períodos de Copas e Olimpíadas.

Atualmente existe uma variedade de entidades representativas no setor de viagens e turismo, às vezes três ou quatro para um mesmo segmento, algumas já há muito tempo na ativa e outras, nem tanto. Mas todas com os mesmos propósitos: representar, oficiar, brigar, oferecer assessoria jurídica e contábil, oferecer orientações empresariais, (e principalmente) realizar eventos, treinamentos, capacitações, defender os interesses de seus associados e buscar respostas, mesmo sendo, muitas vezes, complicado resolver algumas questões importantes para o setor.

Há muito tempo que algumas entidades representativas do setor vêm falando, nos temas de seus eventos, que o mundo está mudando. Mas, muitas não estão preparadas e nem preparam seus associados como deveriam para essas mudanças. Muitos modelos de gestão estão desatualizados para a agilidade e modernidade que o momento atual exige. Quem acompanha o dia a dia do setor de agenciamento de viagens percebe que, assim como um bumerangue, algumas das principais questões relativas ao segmento vêm e voltam. Basta lembrar que há pelo menos dez anos entidades e empresas discutem temas como regulamentação, desenvolvimento, capacitação, profissionalização, remuneração, comissionamento etc.

Casos recentes como o fechamento abrupto de agências de viagem e a paralisação da operação no Brasil de uma companhia aérea internacional, deixando na mão centenas de passageiros e agências de viagens, trouxeram à tona temas recorrentes no turismo, como a responsabilidade solidária, e acenderam uma vez mais debates sobre o papel de entidades, associações e agências reguladoras.

Uma empresa baixa as portas de um dia para o outro prejudicando clientes e parceiros: de quem é a culpa, quem deve pagar ou dividir a conta? A agência de viagens que vendeu o produto? A agência reguladora que permitiu a atuação de determinada empresa? A associação que não possui um fundo para eventuais situações de falência de seus associados? A entidade que não cobra das autoridades de maneira efetiva? O Ministério do Turismo que não fiscaliza?

Esta situação afeta negativamente todo o mercado de turismo brasileiro. Ser associado a uma entidade pode não ser garantia contra falências ou problemas financeiros, mas tem de significar que a associação vai tentar resolver o problema causado ou no mínimo indicar caminhos. Cadê a estratégia para esses momentos de crise?

Por conta da repercussão negativa e das críticas sobre o desempenho das entidades de classe em momentos de crise como este, é que surgem mais questionamentos: Cadê a associação que cobra garantias às agências, que cobra caro, que cobra eficiência e na hora H sequer se pronuncia? Por que associar-se? Por que comprar de empresas associadas?

Estes acontecimentos me fez recordar os dias que antecederam a paralização da Varig, da qual todos sabiam de sua fragilidade financeira. Todavia as entidades representativas do setor não poderiam sugerir às agências que não comercializassem seus bilhetes sob o risco de contribuírem mais rapidamente para sua quebra e serem responsabilizadas por tal fato. (sic!) Então, vamos abafar o caso e prejudicar todo o sistema do mercado de turismo brasileiro (deixando mais de 6 milhões de passageiros no chão!!!)… É muito mais fácil e menos trabalhoso do que reunir, mobilizar toda a classe para tentar salvarmos a “coitadinha” da Varig… Vamos unir nossas forças para o próximo evento. E qual será mesmo o tema?…

Operação “abafa o caso” não cabe nessas horas. E nem é mais aceitável. É preciso cobrar com trombetas e alarde, para não ficar aquela dúvida de ser o turismo um setor pouco sério, que não é e nunca será uma indústria reconhecida. Que na hora de sentar e tomar decisões sobre a Copa do Mundo, Olimpíadas nunca será chamado, pois é dividido por vaidades e egos, por ganância e falta de visão e… desorganizado.

Esses acontecimentos vêm e vão e o mercado continua tentando resistir e se adaptar. Talvez outras reflexões sejam necessárias. Cada pessoa, cada organização no planeta sabem o que fazem. Mas poucas, muito poucas sabem o “porque” fazem o que fazem. E o “por que” não quero dizer “fazer lucros”. Isso é um resultado. É sempre resultado. O “por que” eu quero dizer: qual é seu propósito? Qual é a sua causa? Qual é a sua crença? Por que sua organização existe?

E por que alguém deveria se importar? Bom, como resultado, a forma como pensamos, nos comunicamos e agimos é que faz toda a diferença. Os líderes inspirados e as organizações inspiradas, independente de seu tamanho, segmento, todos pensam, agem e comunicam-se de dentro para fora. Isso prova que o trade não compra o que você faz; ele compra o porquê você faz. Mas, se você não sabe o porquê faz, então como você vai conseguir “pessoas” que queiram votar em você, ou se associar a algo de você, ou, mais importante, que sejam leais e queiram fazer parte daquilo que você faz? Sim, o tempo hoje é precioso e investir em associações que não trazem nada de novo, não tem conteúdo ou são mais do mesmo não condiz mais com o que busca uma empresa séria.

Para continuarmos nessa merecida escalada de crescimento, é preciso fazer diferente. Temos que abandonar práticas antigas e ultrapassadas. Apostar na inovação, no salto de qualidade da prestação de serviços, fazer mais e melhor. Unir forças e agir se faz urgente. Surpreendendo positivamente e rompendo paradigmas.

continua…

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Antonio Moreno
"O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem" Consultoria e Assessoria. CEO do Grupo Tradeclube Soluções. E-mail: antonio@tradeclubenetwork.com WhatsApp: 55-21-98117-2011
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